|
|
|
|
| |
|
Passe o
cursor p/ampliar
  Foto:AdyBrunini. |
A
HISTÓRIA
Nos registros oficiais, a
colonização de Piúma começa
na segunda década do século
XIX. Porém, nos relatos do
Príncipe Maximiniano, que
visitou essa região em 1816,
“encanta-se com a presença
de uma ponte”, obra de
caráter tipicamente europeu.
A presença dessa ponte, que
caiu devido à sua
rusticidade, nos leva a
conclusão de que, como quase
em todos os pontos de
colonização no litoral, a
colonização de Piúma,
começou acidentalmente. A
costa de Piúma devido a sua
localização, no caminho para
a capital da Província –
Vitória – era região de
grande tráfego marítimo. A
rusticidade das embarcações
da época nos mostra grande
quantidade de naufrágios que
traziam às nossas costas; as
suas vítimas. O primeiro
contato com os silvícolas é
receoso, mas o medo termina
a ponto de não só integrar o
náufrago à comunidade, mas
desposarem-no com alguma
índia. Aqui
começa a formação do povo piumense. |
|
|
Era comum também na época, alguns
europeus desesperados com a longa viagem
e as condições desumanas que ela
proporcionavam, ao verem a costa
próxima, atiravam-se das embarcações nas
esperança de encontrarem maior sorte em
terra.
São narradas no século XVI, “as
freqüentes visitas” francesas à
Capitania do Espírito Santo. São
relatados inclusive, ataques à Vila de
Benevente, o que nos leva a crer terem
sido esses os primeiros habitantes
europeus de nossas praias piumenses.
Em 1565, o Padre José de Anchieta cria
“reduções jesuíticas(termo usado na
época, para designar redutos)” na Ilha
de Piúma e no Vale do Orobó, que se
localiza entre o município de Piúma e
Iconha, na parte continental do
município.
A COLONIZAÇÃO NO
SÉCULO XIX
As concessões de terra às firmas
inglesas Midosi e Rodacanak & Cia.,
aliados ao intenso desembarque de negros
para servirem de mão-de-obra nas
fazendas cafeeiras do sul do Estado,
apesar da proibição ao tráfego,
trouxeram grande desenvolvimento à
região, ganhando destaque especial – O
Porto.
Piúma tinha agora um porto movimentado.
As madeiras de lei procedente da parte
continental do município, extraídas
pelas firmas inglesas, o comércio de
negros escravos, e os constantes
desembarques de marujos que se
“deliciavam” nas tavernas.
O presidente da Província, José Joaquim
Machado de Oliveira, antes de tomar
posse de seu governo sofre um imprevisto
acidente, relatado minuciosamente na
obra: A NAU DECAPITADA, ocorrido na
praia de Piúma. Descreve-nos então como
era a região em 1840:
“As palhoças da margem esquerda da barra
do rio Piúma, (hoje Niterói, bairro
distante 2km da sede), conhecido antro
de vendilhões(vendiam para as fazendas
da região os negros traficados) e
meretrizes(funcionárias das tavernas)”.
“Ao sul da foz do rio Piúma havia uma
pequena povoação de índios com umas 50
palhoças, 2 ou 3 casas cobertas de
telhas habitadas por vendilhões brancos
que foram para ali, depois que se
descobriu que naquela costa, podia-se
com segurança, fazer clandestinamente o
desembarque de africanos para serem
vendidos como escravos. Nem uma
regularidade encontrava-se na edificação
das casas, que eram feitas à vontade do
proprietário. Os índios viviam da pesca
e do pequeno cultivo à roda de suas
habitações...” “(...) As mulheres vivam
na mais dissoluta devassidão, crápula e
deboche e davam maior assistência nas
tavernas”. |
|
Passe o
cursor p/ampliar
  Foto:AdyBrunini. |
Havia
também um pequeno número de
famílias estrangeiras que se
alojavam na ILHA DE PIÚMA,
exclusivamente devido ao seu
alto poderio pesqueiro, como
os ingleses(Taylor) e os
alemães de origem francesa(Bourguignon).
Na segunda metade do século
XIX, a colonização
intensificou-se incentivada
pelo aumento de concessões
de terras à famílias
estrangeiras, principalmente
as de origem italiana, estas
se estabeleceram sobretudo,
no Vale Orobó, especialmente
na porção iconhense do Vale.
No início do século XIX, a
produção cafeeira de Iconha
é escoada no trapiche dos
irmãos Deiriz. A produção
vinha de canoas pelo Rio
Iconha, e do porto de Piúma
eram levadas em pequenas
embarcações para Vitória. No
início do século XX, as
plantações cafeeiras dos
iconhenses tiram de Piúma o
título de Comarca,
transferindo-o para Iconha.
|
|
PRIMEIROS TEMPOS DE
PIÚMA
Este município teve seu início em uma
aldeia de índios puris, fundada pelo
Padre Anchieta, na mesma época que a de
Iriritiba, nos anos de 1565 e 1567.
Com o aldeamento dos índios puris
abriu-se um caminho entre Piúma e Iconha,
onde mais tarde foi construída uma das
primeiras estradas de automóvel pelo
Cel. Antonio José Duarte, que também em
1905 instalou uma das primeiras linhas
telefônicas no Estado entre estas duas
mesmas localidades.
O município de Iconha, nosso vizinho,
teve início nas povoações de Piúma e
Orobó.
Em Orobó foi construída a Igreja de
Nossa Senhora de Bom Sucesso pelo Padre
Amaro, era o ano de 1596 e esta
povoação, anos depois entrou logo em
decadência, só existindo atualmente
algumas ruínas.
Piúma, era distrito de Anchieta, antiga
Benevente, distrito este, criado pela
Lei Provincial nº 14, de 4/5/1883, com o
antigo nome de “Nossa Senhora da
Conceição de Piúma”, cresceu tornando-se
a sede do município do mesmo nome. Sendo
porto do mar, o seu comércio se
desenvolveu, recebeu grandes e ilustres
visitantes, e na povoação residiam
pessoas cultas que mantinham relações
com outras regiões do Brasil e da
Europa. “A Magistratura, o Legislativo
Municipal, o professorado, as
autoridades policiais etc..., figuravam
como ornamento de relevo”. No século XIX
a povoação de Piúma teve o seu período
áureo de prosperidade. Possuía prédios
bem construídos, iluminação a gás
acetileno, instalado por Thomaz Dutton
Jr. em 18/12/1880, a Igreja bela e
majestosa, o chafariz de água
canalizada, pianos e etc...
“Os penetradores do sertão
congregavam-se no ponto extremo
navegável do Rio Iconha, pouco abaixo do
Salto do Coqueiro, centro de dispersão e
convergência dos desbravadores das
florestas”. O agrupamento nesse ponto do
rio, deu origem a formação,
provavelmente, em meados do século XIX,
do povoado de Iconha.
Segundo se sabe, um dos primeiros homens
que percorreram a zona central do
município, foi o velho Bourguiginon,
alemão vindo de Frankfurt. |
Passe o
cursor p/ampliar
  Foto:AdyBrunini. |
A primeira
concessão de terras foi
feita mais ou menos em 1816
pelo Imperador D. João VI.
A segunda concessão de
terras foi feita à firma
inglesa Rodacanak & Cia.,
com a sede em Londres, para
exploração de madeira, pois
era proprietária de uma
serraria em Piúma e outra em
Monte Belo, onde ainda
existem vestígios da mesma.
São da mesma época, Ernesto
Midose e Thomaz Anton Dutton
Jr., sendo esse último
inglês, e sucessor de
Rodacanak & Cia., ainda
possuindo uma fazenda em
Monte Belo, com 1.600
alqueires. De certa forma
estimulou a vinda dos
ingleses para o município.
Foram elas as famílias
Taylor, Thompson, Oênes,
Oacres e, também,
portugueses, franceses,
libaneses e italianos.
Na localidade de Monte Belo,
o senhor Dutton Jr. loteou
uma área para uma futura
cidade que seria denominada
“Manchester”. Alguns anos
depois a fazenda Monte Belo
passou a pertencer ao Sr.
Cel. José Alves da Costa
Beiriz.
O município de Piúma foi
instalado no dia 02/01/1891,
tendo como sede a Vila de
Piúma. Em 26/01/1895, foi
elevada à |
|
categoria de Comarca
tendo como primeiro Juiz de Direito, o
Dr. Anésio Augusto de Carvalho Serrano.
Em 1900, suprimida a Comarca, passando a
pertencer à Comarca de Anchieta, antiga
Benevente. Mais tarde, já com o nome de
Iconha, o município passou a pertencer à
Comarca de Alfredo Chaves, retornando à
Comarca de Anchieta em 1939. Em 1944 a
Comarca passou a pertencer novamente a
Alfredo Chaves pelo Decreto – Lei
Estadual nº 15177, de 31/12/1943. A
Comarca foi instalada em Iconha no dia
28/08/1964. Realização do Prefeito Dr.
Danilo Monteiro de Castro e criado pela
Lei 1999 de 02/04/1964.
Em 18 de novembro de 1904 a povoação de
Iconha foi elevada à categoria de vila,
transferindo-se para a mesma a sede do
município. E Piúma passou a Distrito de
Iconha. A Vila de Iconha passou a ser
sede do município devido ao progresso e
a prosperidade crescente da zona
central, fazendo com que a vila se
tornasse o principal centro econômico e
político do município.
Continuando em Piúma a sede do telégrafo
desde 1896, agência do Correio, a sede
da Escola Pública que data de
28/07/1862, a Paróquia com invocação de
Nossa Senhora. da Conceição de
04/05/1883, e Coletorias Federal e
Estadual. O porto marítimo continuou
exportando os produtos do município,
principalmente café, que vinha do
interior por meio de canoas, pranchas e
tropas.
Depois, com o desenvolvimento das
rodovias foi extinto o porto de mar. E
também foi suprimida a Coletoria
Federal, sendo transferida para o
Município de Iconha, ficando a Estadual
que depois passou a ser Mesa de Rendas. |
| Passe o
cursor p/ampliar
  Foto:AdyBrunini. |
REVOLUÇÃO EM PIÚMA
Em 1904 houve uma revolução
cuja causa foi a seguinte:
A sede do município antes de
ir para Iconha, foi primeiro
para Rodeio. Isto em 1901.
Residia neste município, um
coronel mineiro chamado
Carlos Gentilhomem que ficou
muito revoltado, achando um
absurdo Piúma tendo um porto
de mar, com um comércio bem
desenvolvido, deixar de ser
a sede do município. Ele,
vendo que iam tira-la mesmo
de Piúma, não mediu esforços
para tornar sem efeito sua
transferência para Iconha. E
conseguiu leva-la para
Rodeio, |
|
atual Princesa, onde
permaneceu de 1901 a 1904. Mas os chefes
políticos de Iconha discordaram de sua
permanência em Rodeio, fazendo uma
grande pressão contra o coronel
Gentilhomem. Mas este estava disposto a
lutar e chefiou uma revolução. Embora
sabendo que sua causa era perdida,
estava disposto a enfrentar a luta por
seus ideais.
A pedido dos adversários de Gentilhomem,
o governo do Estado enviou tropas que
desembarcaram em Piúma com destino a
Iconha. Gentilhomem vem de Rodeio com
seus capangas até a localidade de Iconha,
disposto à luta. Entretanto, houve um
acordo entre as partes oponentes,
ficando resolvido o seguinte: Iconha
tornou-se a sede do município, perdendo
porém, o Distrito de Rodeio, que passou
a pertencer a Rio Novo do Sul.
PRIMEIROS IMIGRANTES DE PIÚMA
Os primeiros imigrantes de Piúma foram:
João Rodacanak, Ernesto Midosi, Thomaz
Anton Dutton Jr., João de Deus. Estas
pessoas foram privilegiadas com os nomes
das primeiras ruas e a principal recebeu
o nome de Cel. Ananias Pires Martins.
Com o passar do tempo, foram surgindo
outras ruas que receberam os nomes:
Eliseu Xavier Nunes, Eulália da Silva
Pinheiro, Ponte Nova e Dr. Danilo
Monteiro de Castro. Depois estes nomes
foram todos mudados, mudança esta feita
pelo segundo ex-prefeito provisório Cel.
Djalma Borges, com a intenção de agradar
os piumenses substituindo os antigos
nomes pelos das cidades do Espírito
Santo. Mas a sua intenção desagradou a
muita gente; principalmente os filhos do
lugar, pois acharam que deveriam
permanecer os antigos nomes,
tradicionais.
Entretanto, os novos nomes foram
adotados, ficando apenas com a
designação antiga – a rua Dr. Danilo
Monteiro de Castro.
HOMENAGEM
Guilherme Thompson Jr.
De acordo com o Instituto Histórico e
Geográfico do Estado do Espírito Santo,
a colonização inglesa em Piúma começou
no final do século passado, por famílias
inglesas, lideradas por Thomaz Dutton
Jr. Dr. Renato Pacheco, que é sociólogo,
historiador e professor da UFES é o
maior conhecedor desse fato.
Entre as famílias fundadoras estavam os
THOMPSON, provenientes de Sheffield;
vieram ao Brasil convidados por Thomaz
Dutton Jr. para desbravar a região com
outros ingleses.
O primeiro Thompson a se estabelecer na
região foi Henry Thompson, com sua
esposa Emily Morris Thompson e seus
filhos Guilherme, José, Henrique Jr.,
Álvaro e Jorge.
No Brasil(mais precisamente em Piúma),
Guilherme casou-se com Anna Maria Owen.
Desse casamento nasceram 3 filhos
varões, entre eles GUILHERME TOMPSON
JR.; a quem propomos e defendemos a
justa homenagem com o nome da praça.
Guilherme Tompson Jr. nasceu em Piúma em
13 de junho de 1893. Jamais desapegou-se
de sua terra natal. Viveu a maior parte
de sua vida em Piúma, onde casou-se com
a senhora Thereza Lima. Lá nasceram os
seus oito filhos. Ao mudar-se para
Cachoeiro de Itapemirim, afim de prover
futuro melhor para os filhos e filhas,
manteve sempre em Piúma uma casa, onde
vinha com os filhos e, posteriormente,
com os filhos e netos. Inegavelmente
amava Piúma.
Ghilherme Thompson Jr. sempre foi
trabalhador, honesto e excelente chefe
de família. Só isto bastaria para
homenageá-lo.
Fora de Piúma, sempre a citou como seu
lugar preferido, sua terra natal, onde
sempre quis voltar a morar. Esse seu
desejo concretizou-se através da viúva,
filhos e alguns netos que voltaram a
viver em Piúma. Outro motivo singular
defendido para homenageá-lo, é que a
praça tivesse um monumento à Bíblia e
ficasse em frente à Igreja Batista,
Guilherme Tompson Jr. foi um evangélico
batista pioneiro em Piúma. Os primeiros
cultos evangélicos batista foram
realizados em sua casa. Era um homem da
Bíblia e pela Bíblia orientava a
família.
Diante disso a praça se chama – PRAÇA
GUILHERME TOMPSON JR. – em homenagem a
esse piumense que tanto honrou e amou
sua cidade natal.
PIÚMA HOJE
Apesar de ser um dos menores municípios
capixabas, com uma área de 73,86 Km2,
Piúma está em pleno desenvolvimento.
Segundo os dados do último censo
realizado pelo IBGE, Piúma é, depois de
Vila Velha, o maior município em
crescimento demográfico do Espírito
Santo. Esse crescimento, justifica-se
hoje, pelo enorme fluxo populacional
migratório vindos de diversas regiões do
país, sobretudo mineiros e cariocas, que
vêem no município a esperança de
melhorias individuais.
O município tem como principal fonte de
renda – o TURISMO. No verão, a cidade é
palco de um fluxo migratório que atinge
cerca de 500 mil turistas, 300 mil
apenas no Carnaval. O turismo tem levado
Piúma aos noticiários, e seu Carnaval é
considerado um dos melhores do Estado. A
pesca, o artesanato em conchas (que
chega a ser exportado para países da
América do Sul, Estados Unidos e Europa)
são outras fontes de renda que crescem
espantosamente a cada ano.
Fonte: Acervo Prefeitura de Piúma.
|
|
| |
|
|